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História do Facebook

O Facebook já estaria morto, se não fosse por essa mudança

estratégia

O ano era 2012, mas parece que foi outro dia. Eu estava sentando assistindo uma aula e surgiu um questionamento sobre o futuro do Facebook.

Na época, pedi a palavra e disse que tranquilamente o Facebook estaria vivo nos próximos 5 anos. A maioria riu, o professor de uma risada irônica como se eu fosse arrogante.

Não era arrogância, era análise. E vou te mostrar alguns dos principais pontos que me levaram a acreditar, sem dúvida alguma, que o Facebook continuaria sendo uma das principais empresas do mundo

O Orkut morreu, o Facebook pode morrer também

Durante os anos de 2011 a 2014 existia um questionamento constante a respeito do futuro do Facebook. Era comum encontrar matérias em grandes publicações detalhando com precisão e muitos argumentos pelo qual o Facebook estava fadado ao fracasso.

Eu ainda ouço argumentos do tipo:

“Ah, mas e o Orkut? O Orkut morreu!”

Minha reação é sempre de tentar me controlar ao máximo para não despejar uma quantidade inacreditável de fatos a respeito do que faz o Facebook ser completamente diferente do Orkut, MySpace (que está vivo) e Second Life (também vivo).

O problema todo com o Orkut é que ele nunca foi uma plataforma de verdade, não tinha uma API aberta, não tinha unidade de anúncios nativo (tinha Google Ads no final de sua vida), entre outros mil motivos, mas esse é um papo para outro dia também.

No ano de 2012, Mark Zuckerberg direcionou os esforços do Facebook para mobile, tornando esta a prioridade nº 1 da empresa. (Tanto aplicativo nativo, como anúncios).

Mark Zuckerberg @ Harvard

Veja bem, estamos em uma época pré-IPO aqui. A pressão de Wall Street era gigante.

Com o foco em mobile, analistas de Wall Street (Reuters) estava preocupados com a habilidade do Facebook de gerar receita a partir do mobile.

Após o IPO, um dos fatores que teve um impacto positivo e levou as ações do Facebook a cairem (algumas vezes), foi justamente o foco “excessivo” em mobile e se ele realmente seria capaz de entregar os resultados esperados.

Porque mobile foi a “salvação” do Facebook

Há algum tempo eu acompanho de perto todas as reuniões de acionistas e publico um resumo com uma breve análise trimestral/anual.

Quando estava compilando o útlimo resultado, um número saltou na minha frente e eu fiquei parado por uns instantes apreciando aquilo.

Aprox. 93% de todo o faturamento* do Facebook vem exclusivamente de anúncios via dispositivos móveis.

*O equivalente a $15,62 bilhões no último trimstre (Q2/2019).

Ficou mais do que claro para mim que o Facebook era uma empresa completamente diferente e provavelmente se transformaria em uma das marcas mais estáveis deste século. Sim, século.

Alguns fatores que deixam isso claro para mim:

  • O nível de agressividade nos testes (Até 10mil em um único dia)
  • Cultura orientada a colaboração e crescimento
  • A compra do Instagram, quando ele tinha aprox 30 milhões de usuários, mas tinha alto potencial para engajamento via mobile.
  • A compra do Whatsapp que dispensa comentários a respeito da importância para o futuro da rede.
  • Aquisição da Óculus VR, garantindo ser um dos principais players de VR para os próximos anos.

Enfim, são muitos aspectos e eu dedicaria boas horas colocando os principais aqui, mas acho que você entendeu o meu ponto.

Do ponto de vista de negócios, antes de 2012, vou citar outros dois fatores que eu considero cruciais para o crescimento do Facebook:

  1. A Aquisição do Friendfeed que deu vida ao Feed do Facebook e trouxe juntamente com Bret Taylor, uma leva inacreditável de engenheiros.
  2. A contratação de Sheryl Sandberg, uma das mais incríveis executivas da história e que trouxe muito da visão de negócios que o Facebook possui hoje.

O Facebook (rede principal) pode e deve perder relevância nos próximos anos a não ser que uma nova mudança drástica aconteça. Morrer? Não vejo como neste momento. A não ser em um cenário político caótico, que o Facebook já demonstrou que sabe se virar bem, não vejo como.

Fonte: The Messaging App Report, Business Insider

O futuro da comunicação neste momento direciona para os mensageiros, na verdade no ano de 2015 os apps de mensagem ultrapassaram os apps de redes sociais.

E neste momento, o Facebook é responsável por Messenger e Whatsapp, que já garantem que o futuro dos mensageiros será brilhante para a empresa.

No final, eu acredito que o Facebook teria perdido relevância a ponto de ser considerado “morto” para os negócios caso não tivesse se adaptado drasticamente para o mobile. Nós passamos anos ouvindo “mobile first” e quem investiu, está colhendo frutos inacreditáveis, especialmente o Facebook.

Qual é a próxima grande tendência? Para mim fica claro que é Inteligência Artificial e algumas empresas (como o Google), já estão se posicionando como “AI First”.

Principais aprendizados

Acho interessante condensar brevemente alguns pontos que permitem que a gente cresça, aprendendo com quem soube navegar em águas turbulentas:

  1. A mudança que vai garantir que o seu negócio sobreviva daqui 5 anos, deve começar agora, fique atento. Não more no passado.
  2. Mobile está consolidado, não é mais um debate. Se você não está otimizando para dispositivos móveis, você está deixando muito na mesa. Provavelmente a maior parte do bolo.
  3. Tenha pessoas com habilidades completamentares ao seu lado. O Facebook definitivamente não seria o que é hoje sem a Sheryl Sandberg.
  4. Pode ser necessário absorver impacto negativo a curto prazo se você tem uma visão clara de onde está indo.
  5. Quando errar, assuma o erro e adapte-se rapidamente. O Mark Zuckerberg chegou a afirmar que um dos maiores erros que ele cometeu foi não ter investido em um app nativo para o Facebook. (Na época, HTML5 era o que havia de melhor, mas de repente, empresas como Apple e Google começaram a direcionar para que as empresas criassem apps nativos.)

E é isso, é uma visão bem pessoal com base em informações que eu venho acompanhando no decorrer dos anos. Espero que seja útil em algum nível para você.

Um abraço,

Obs: Este é um texto que tem foco em analisar o aspecto de negócios. Não é um atestado de que o Facebook é uma empresa perfeita e sem seus erros e desafios para serem trabalhados. O aspecto negativo, seja em qual esfera for, não era escopo do que eu pensei em escrever hoje.

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